domingo, 19 de julho de 2015

O que és?

És a palavra que nunca encontro no dicionário...
És vernáculo sem explicação..
Não és de fato um termo que conheça na minha oração...
És a palavra sem ortografia dentro de mim...
És a redação que nunca conseguirei escrever...
És aquela minha aula que nunca entendo...
És meu livro sem capa, sem capítulos e quase sem história...
És a menina de branco que me prometeu levar ao baile e nunca veio...

Amando-a

Acredito, e não sei o porquê, que continuarei amando-a
Viverei ao máximo teu amor ausente...
Eu viverei teu amor afoito...
Viverei teu amor problema...
Eu viverei teu amor frio...
Viverei teu amor sem mim...
Eu viverei teu amor sem música...
Viverei teu amor com livros...
Eu viverei teu amor materno sem ser filho...
Viverei teu amor conjugal sem ser esposo...
Eu viverei teu amor sem tempo...
Viverei meu sonho... minha loucura de pensar que eu viverei teu amor sem amar-me...
Eu viverei meu amor por ti, sempre assim distante, mas sempre meu...

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

INSISTÊNCIA...


Insistes em não te afastar...
Insistes no último laço...
Insistes na leitura da última linha...
Insistes no pedido do último verso...
Insistes em estar...
Insistes na não ausência...
Insistes na ausência mais presente...
Insistes na presença nunca ausente...
Insistes em dizer não ao não...
Insistes em dizer sim ao sim mesmo tendo que dizer não...
Insistes em, apesar de ausente presente, quere-me...
Insistes...
Insistes...
E eu insisto em escrever-te..
Insisto em te querer sempre assim... insistindo...
Não desista de insistir...
que prometo parar de insistir de te esquecer...

terça-feira, 17 de junho de 2014

PREFIRO A ESCURIDÃO À CLARIDADE

Bom é estar no escuro, trevas total
Nada de maligno, nada de diabos e coisas do além...
A escuridão é boa porque não é clara...
Não tem a pretensa pretensão da claridade... sempre bonitinha, perfeita...

Estar em trevas nos deixa ansiosos, atentos, em alerta, espertos...
Nos oferece o medo positivo...
Nos faz pensar com pressa...
Nos faz estar em posição de combate...
Criamos olhos atrás... criamos olhos no lado... e os da frente nunca fecham...

Nas trevas há criatividade de sobreviver...
Nas trevas há criatividade de escrever coisas tristes... tudo sem "era uma vez"
Não há como falar da dor na claridade... dor é de verdade nas trevas...
Na luz não há crescimento... há estagnação... ficamos inertes olhando o nada... admirando a beleza clara e sem graça...

Nas trevas, na escuridão estão sempre em busca... estamos sempre procurando... na escuridão não existe imobilidade...
Na escuridão surgiu a poesia romântica...
Das grandes guerras surgiu o melhor filme... surgiu a melhor música... não foi da claridade...
Daí eu preferir a escuridão à claridade...

domingo, 1 de junho de 2014

TUDO AQUILO QUE NÃO ESCREVI... OU ESCREVI...


Queria ter escrito os versos: "E eu ainda sou bem moço pra tanta tristeza, e deixemos de coisa, cuidemos da vida, pois se não chega a morte ou coisa parecida e nos arrasta moço sem ter visto a vida"

Queria ter escrito que "Há tempos o encanto está ausente e há ferrugem nos sorrisos, e só o acaso estende os braços
a quem procura abrigo e proteção"

Queria ter escrito que "Quero não ferir meu semelhante, nem por isso quero me ferir."

Queria ter escrito que "o mundo da linguagem sem o mundo prática é um mundo vazio".

Queria ter escrito "Como encontrar
a chave desse teu riso sério?".

Queria ter escrito que "Todo mundo queria
Não ser assim tão só
Ter alguém ao seu lado
Seria bem melhor
Pra poder seguir"

Queria ter escrito "Como pode ser, gostar de alguém
e esse tal alguém não ser seu".

Queria ter escrito que "Sábios em vão
tentarão decifrar 
o eco de antigas palavras
fragmentos de cartas, poemas
mentiras, retratos
vestígios de estranha civilização."

Queria ter escrito "Pra ser sincero, meu remédio é te amar, te amar
não pense, por favor
que eu não sei dizer
que é amor tudo o que eu sinto longe de você."

Queria ter escrito "Liberdade!, Liberdade!
Abre as asas sobre nós
E que a voz da igualdade
Seja sempre a nossa voz."


Queria ter escrito que "Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia".

Queria ter escrito que "E um dia, afinal
Tinham direito a uma
alegria fugaz
Uma ofegante epidemia
Que se chamava carnaval
O carnaval, o carnaval".

Queria ter a ousadia do Chico em Chamar Deus para ver o Carnaval: "Meu Deus, vem olhar
Vem ver de perto uma
cidade a cantar
A evolução da liberdade
Até o dia clarear".


Mas não sem antes lembrá-lo que "Seus filhos
Erravam cegos pelo
continente
Levavam pedras feito
penitentes
Erguendo estranhas
catedrais" e que por isso "um dia, afinal
Tinham direito a uma
alegria fugaz
Uma ofegante epidemia
Que se chamava carnaval
O carnaval, o carnaval".

Queria ter escrito que "Voltávamos a ser então o tal casal,
apaixonado, apaixonado". 

Queria ter escrito que "Gostei de ser de quem me gosta".

Queria ter escrito que "Eu sei que o amor é bom demais, 
Mas dói demais sentir (ou sem ti)."

Queria ter escrito que "ou eu encanto a vida
ou desencanto a morte..."

Eu queria ter escrito "que eu apenas queria que você soubesse que aquela alegria ainda está comigo e que a minha ternura não ficou na estrada, não ficou no tempo presa na poeira". 

Pronto! Mais um belo texto de minha autoria publicado! Não te atrevas a dizer que é cópia, pois Fernando Pessoa me autoriza o fingimento poético e agora finjo que todos os versos acima são meus... tá tudo lá na portaria "Psicografia" de Fernando Pessoa.

 












sábado, 7 de setembro de 2013

ONDE DEUS MORREU?

É VERDADE...
É VERDADE...
É VERDADE?
É VERDADE!

DEUS MORREU!

MORREU DENTRO DO CORAÇÃO DOS QUE NÃO TÊM MAIS FÉ
MORREU DENTRO DOS CORAÇÕES COM PROBLEMA DE CABEÇA
MORREU DENTRO DOS CORAÇÕES DOS PASTORES DE DÍZIMO
MORREU DENTRO DA IGREJA SHOW 
MORREU DENTRO DOS TEMPLOS DE MEROS ENCONTROS SOCIAIS
MORREU DENTRO DOS PROGRAMAS DE TELEVISÃO ONDE SE ENTREVISTAM MUITOS DEMÔNIOS
MORREU DENTRO DOS CORAÇÕES QUE ACHAM QUE SÃO, QUE ACHAM QUE POSSUEM, QUE ACHAM QUE PODEM... QUE ACHAM QUE NÃO PRECISAM...

MAS SE DEUS MORREU NESSES CORAÇÕES,ONDE ELE VIVE AGORA?

NOS CORAÇÕES DE VERDADE...
VIVE NOS CORAÇÕES IGNORANTES...
VIVE NOS CORAÇÕES DOS DISPLOMADOS...
VIVE NO CORAÇÃO DOS QUE USAM ROUPAS COMPRIDAS NO SOL QUENTE COM MEDO DE OFENDÊ-LO...
VIVE NO CORAÇÃO DOS QUE DÃO O DÍZIMO ACREDITANDO DE VERDADE QUE É PRA DEUS, MESMO NÃO SENDO...
ELE VIVE NO INTERIOR, NÃO MAIS NA CIDADE...
ELE VIVE EM ESTRADAS DE TERRA E NÃO MAIS EM PISTAS DE ASFALTO...
ELE VIVE EM CHOUPANAS E NÃO MAIS EM PALÁCIOS...
ELE VIVE ENTRE OS QUE ANDAM A PÉ E NÃO MAIS DE CARRO...
ELE VIVE ENTRE DOENTES E NÃO MAIS ENTRE OS SÃOS...
ELE VIVE ENTRE OS QUE TÊM FOME E NÃO MAIS ENTRE OS QUE COMEM...
ELE VIVE ENTRE OS QUE NÃO TÊM MAIS LIBERDADE, INDEPENDENTE DA PRISÃO...
ELE VIVE ENTRE OS QUE SABEM QUE NÃO SÃO...
ELE VIVE ENTRE OS QUE SABEM QUE NÃO POSSUEM...
ELE VIVE ENTRE OS QUE SABEM QUE NÃO PODEM...
ELE VIVE ENTRE OS QUE SABEM QUE PRECISAM...

O DEUS QUE VIVE TEM MANIA DE COISAS SIMPLES...

... e o que morreu? Bem, o que morreu, ele já morreu e deve continuar morto... sintam o cheiro da universal putrefação divina.

AGORA...





Devagar
Sem pressa
Nada de relógio
Agora somos só nós dois...
Como sempre sonhamos... sem pressa, sem relógio, sem dor...
Agora só existe o céu e nós dois...
És minha e eu, aparentemente entregue, sou teu
Não nos esquecemos de nos termos e agora nos temos...
Vamos esquecer de nos lembrar que como tudo na vida isso vai acabar...
mas agora não... estamos sem pressa, sem relógio e sem dor...

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Ausência presente


Tenho estado ausente de mim...


e presente em lugar nenhum...

sábado, 8 de dezembro de 2012

CONVERSA COM A MORTE I


Semblante grave, roupa mais escura do que clara...
A personagem se apresentou como a morte...
Sentou na beira de minha cama e disse que não precisaria saber o meu nome, pois não era a minha hora...
Ela disse que veio me visitar, pois apesar de ser a morte, achou interessante minha vida...
Afirmou gostar dos livros que leio, das músicas que ouço e dos filmes que vejo...
Num piscar de olhos sumiu e fiquei com a sensação que ela é a minha maior certeza...

domingo, 28 de outubro de 2012

Nós...

Não sei o porquê...
Mas perdi a habilidade com as palavras depois de adulto...

Não consigo falar, por isso o silêncio
Mas consigo te ouvir, mas também não falaste

Por isso escrevo, mas não espero resposta...
Sobre a vontade de te ver que dói... bem-vinda ao clube

Meu silêncio foi falta de habilidade com as palavras...
Minha fuga foi uma extrema mistura de peso na consciência e fardo metafísico, acho que é a prova de que não sou um menino tão mal, embora tenha tentado...

Nos sentimos péssimos e idiotas quando queremos tanto tocar alguém que está a um abismo de nós...
Sobre ser usada, perdoe-me, sempre se usa uma pessoa que nos inflige uma saudade de anos...

Percebes todas as diferenças... e eu só percebo a mesma e igual vontade nos dois de estarem juntos numa praia onde o banho é proibido...

"Se queres saber, sinto saudade de você sim (eu também de ti...)

mas não faz mais sentido algum continuar com isso (não faz nenhum sentido parar... eu continuarei)

Eu cansei de te agredir (nunca me senti agredido, a não ser pela distância)

e não quero mais me sentir agredida também (sentimento equivocado como a nossa história...)

somos adultos agindo feito crianças há muito tempo (não sei tu, mas eu sim, sou culpado de toda criancice...)

e eu me cansei disso (a única coisa que me cansa é a distância de ti)

Vamos nos respeitar e nos afastar de vez (Como? Se nos afastarmos é o maior desrespeito de todos...)

antes de nos odiarmos (Já nos odiamos por não podermos estar juntos... não tem mais volta... vai ser ódio pra vida toda... rsrsrsrs... te odeio por viveres querendo terminar tudo o que não tivemos e não nos deixar sonhar em termos tudo o que podemos... já te odeio faz tempo... rsrsrsrs...

Se cuida (Sem ti... sou um eterno descuidado...)"

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

INEFÁVEIS

Falaste-me do filho que toca divinamente bem
Falaste-me da filha que canta divinamente bem
Falaste-me dos três juntos: tu, ele e ela

Eu só ouvi
Sorri
Acho que te olhei nos olhos

Não falei nada porque desaprendi
Mas te ouvi

Na curteza de minhas palavras
Eu te perdi perdão
E disse que seria a última vez...

Não sabemos o que exatamente "seria a última vez"

Mentiste e até hoje fiquei sem saber o porquê...
Mas e daí, a mentira é parte inefável de nossa humanidade frágil e curta...

Escrevi esse texto porque tô com saudade
Mas e daí, a saudade é parte inefável de nossa humanidade frágil e curta...

Me arrependi tanto de não ter feito mais depois de tantos anos,
Mas e daí, o arrependimento é parte inefável de nossa humanidade frágil e curta...

Comecei a estrofe anterior com pronome oblíquo e isso não pode
Mas e daí, eu te fiz sofrer e isso também não podia...

terça-feira, 10 de julho de 2012

NOSSOS OLHOS


Estou no Rio de Janeiro e há quem diga que é uma cidade promíscua, dada a festas, profana e potencializadora da ausência de Deus. Há até os que veem, no Rio, a Babilônia brasileira, Sodoma, Gomorra e todos os símbolos do mal que existem por aí.

Confesso que estou cansado desse tipo de gente, cansam-me os de retina diabólica. Ontem, tive o prazer de desfrutar do Pão de Açúcar, daquela vista, daquele vento gelado, daquelas pessoas bonitas e aí me perguntei: - Se todo o mal do mundo me prova que Deus não existe? Todo o bem me prova o quê? 

As infinitas belezas do Rio me provam a todo instante que Deus existe sim! E o mal, em grande parte, não tem nada a ver com Deus ou diabo, mas sim com os homens, pois todo o mal ou bem que fazemos ou recebemos é, antes de tudo, uma escolha nossa. 

Então, por favor, sem rótulos, sem máscaras. As coisas são o que são e "os teus olhos são a luz do teu corpo. Se eles forem bons, todo o teu corpo terá luz; mas se eles forem maus, todo o teu corpo será tenebroso"(Mt. 6:22 e 23). 

E depois? Começaria tudo outra vez...


"(...) mas passou nosso tempo, não podemos negar(...) quero que você viva sem mim(...) depois de aceitarmos os fatos vou trocar seus retratos pelos de outro alguém. Meu bem, vamos ter liberdade para amar à vontade sem trair mais ninguém (...). Ei de ser feliz também depois."

Depois, depois e depois... Marisa Monte foi precisa na escolha desse título, na escrita desta letra, precisão divina. Quantos de nós não vivenciamos vários "depois"? Todos. Uns temem o "depois", mas não tem como nos livrarmos dele, com ele vem a dor, o sofrimento, uma certa solidão. Ou não... depois do "depois" vem a alegria, um sorriso quase esquecido, uma sensação de liberdade há muito não vivenciada.

O fato é que a vida é uma grande sucessão de "depois", mas e aí? O que fazer? O que fazer depois de nossos "depois"? Tenho algo a sugerir: 

"Vida, vamos nós
E não estamos sós
Veja, meu bem 
A orquestra nos espera
Por favor, mais uma vez
Recomeçar" 

Gonzaguinha sugeriu começarmos tudo outra vez e eu, de fato, "começaria tudo outra vez, se preciso fosse, meu amor". 

REPÚBLICA DO SORRISO


Sou professor
Sou afeito a sorrisos
O sorriso dos meus alunos me encanta
Há quem diga que faço sorrir porque não sei ensinar,
mas prefiro crer que porque sei ensinar é que faço sorrir.

Gosto de alunos que sorriem
Adoro responder os sorrisos
Há quem diga que devo ser sério
Mas eu sou, insisto! Eu os ensino a sorrirem com muita seriedade.
Ou não seria sério ensinar a sorrir ou sorrir ao ensinar?

Esse texto é um manifesto do sorriso
Por uma educação dos sorrisos

O tempo levou minha infância e me obrigou a ser adulto
Mas nunca me levará o sorriso
Nem na hora da morte

Até por que sei que depois dela é que o sorriso será, de fato, uma constante!

terça-feira, 5 de junho de 2012

O insofismável encontro


Hoje, de 11:30 às 15:00 estive na companhia da imaginação, lado a lado com o paraíso
Conversei com o humano-divino
Ela é alta, sorriso fácil e olhar não humano...
Eu a ouvi, desfrutei de sorrisos e falei algumas coisas recheadas da insignificância dos mortais
Ela, com educação de quase deusa, ouviu-me
Pensei coisas sujas, tipo “me dá um beijo”, ela na onisciência de quase deusa, leu meus pensamentos e fingiu não entender... até por que não deve ter entendido mesmo, afinal... são dimensões muito diferentes...
Não fiz altar
Não louvei
Mas me deu vontade de ser ateu e tê-la só pra mim...
Contanto ficou tudo assim... paraíso é paraíso, imaginação é imaginação, deusas são deusas e humanos são humanos... pra mim fica o texto e a sensação de acompanhar o divino na terra por algumas horas, pra ela... pra ela... não sei, deve ter sido mais uma experiência com a raça humana.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Poema suicida

Vontade de morrer...
Não eu
A vida, existem vidas que têm vontade de morrer
Elas se matam
vulgo suicídio
Isso causa em mim uma série de interrogações e exclamações...
Por quê?
Matou-se!?
Foi-se? Pronde?
últimos instantes... terror, ou o sorriso dos da 2ª geração...
Penso que haveria outra solução, que não a fuga, que não a ausência

Adiantamos o 13º, as férias, mas a morte... a morte?! 

E a vida, como fica?
A vida já é tão difícil de ser vivida a ainda vou querer morrê-la


Entre a dificuldade de viver e a incerteza de morrer, prefiro a primeira...
Aos suicidas, fica o meu misto de respeito, pena e incompreensão...

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

QUATRO QUASE ILUSÕES...

Beto Guedes
Na música "quatro"
diz assim: "A nuvem pálida no céu desses meus desejos
encobre toda a paz
e põe no meu caminho quatro ilusões
Amar, viver, cantar e ser
o que eu não posso negar"


Entendes?
Não.

Permita-me explicar...

São quatro ilusões em nossa existência:

Amar,

viver,

cantar

e ser
o que eu não posso negar

Mas sem ilusões ficaria assim...

Amar você...

viver com você...

cantar você...

e ser
o que eu não posso negar, totalmente seu...


A ENCANTADORA DA NOITE

De noite
Bem de noite
Na total ausência do dia
Conheci você

Bela, dada, riso fácil
e conversa encantadora...

Mas aí veio o dia
E como já não era noite
Sumiste

E eu, desde então
Fico a querer transformar todos os meus dias em noites
pra ver se um dia consigo te encontrar...

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Foste

TIVE ALGUÉM QUE ME CHAMAVA DE PETER PAN
ERA A MINHA SININHO


ELA, COMO FADA APARECEU
E COMO FADA DESAPARECEU


ELA NÃO ENTENDEU QUE NÃO QUERO CRESCER
AÍ ELA FOI EMBORA CRESCER SOZINHA


E EU CONTINUO AQUI
ESCREVENDO BOBAGENS COMO A CRIANÇA QUE SOU


NA ESPERANÇA DE UM DIA ELA NOVAMENTE ME LER...

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

FUNERAL DE MORTO


- Depois que me deixaste, eu sofri.


- Sofri tanto, tanto, tanto... pensei que iria morrer. Era uma tristeza que vinha de cima, de baixo, do lado, de frente, de trás. Deixei até de tomar sorvete porque lembrava de ti.


- Não fazias questão de te esconder com outras mulheres, passavas por mim com elas e parecias zombar de mim pra elas, pois todas elas sorriam ao passar por mim... aquilo me afligia, deixava-me louca, era um misto de vergonha, tristeza, arrependimento. Eu perguntava pra mim mesma: - Por que ele faz isso comigo? Eu só o amei. Fazia tudo pra ele. Tratava-o como rei...


- Depois de ti nunca mais fiquei com ninguém. Criou-se um medo em mim...


- Nossa filha... nossa filha, tua única filha, tão linda, tão inteligente, tão doce, nem a ela respeitaste... como pôde deixá-la vê-lo com outra em nossa cama? És um animal irracional. Ela nunca fala disso, só prefere não ver suas fotos, nem ouvir falar teu nome. Tenho a impressão que a palavra pai a incomoda. No dia dos pais ela se tranca no quarto e passa o dia inteiro ouvindo música alta e assistindo aos filmes baixados da internet. Só a vemos no dia seguinte, com um sorriso cinza, quase triste que vai se colorindo com os outros dias até ficar cinza e quase triste no próximo dia dos pais...


- Nunca tentaste se reaproximar, nunca demonstraste arrependimento, nem um cartão, nem uma ligação. Não precisava ser pra mim! Mas para a tua filha, pra tua filha, pra tua filha, seu filho da puta, miserável, bandido... nós te amávamos! Nós te amávamos... (choro forte, soluço, choro descontrolado...)


Ninguém sabia o que fazer... todos estavam ali escutando o desabafo íntimo público... até que a filha veio até ela e a tirou de cima do corpo do pai...


Ela, desesperada, abraçava a filha com força e gritava: - Ele se foi! Ele se foi! Teu pai se foi... (choro alto e forte).


A filha, com serenidade sobrenatural, abraçou a mãe com força, afastou o rosto dela de seus ombros, olhou nos seus olhos e disse: - Ele se foi há muitos anos. Continuaremos só nós duas como sempre foi.