sábado, 7 de setembro de 2013

ONDE DEUS MORREU?

É VERDADE...
É VERDADE...
É VERDADE?
É VERDADE!

DEUS MORREU!

MORREU DENTRO DO CORAÇÃO DOS QUE NÃO TÊM MAIS FÉ
MORREU DENTRO DOS CORAÇÕES COM PROBLEMA DE CABEÇA
MORREU DENTRO DOS CORAÇÕES DOS PASTORES DE DÍZIMO
MORREU DENTRO DA IGREJA SHOW 
MORREU DENTRO DOS TEMPLOS DE MEROS ENCONTROS SOCIAIS
MORREU DENTRO DOS PROGRAMAS DE TELEVISÃO ONDE SE ENTREVISTAM MUITOS DEMÔNIOS
MORREU DENTRO DOS CORAÇÕES QUE ACHAM QUE SÃO, QUE ACHAM QUE POSSUEM, QUE ACHAM QUE PODEM... QUE ACHAM QUE NÃO PRECISAM...

MAS SE DEUS MORREU NESSES CORAÇÕES,ONDE ELE VIVE AGORA?

NOS CORAÇÕES DE VERDADE...
VIVE NOS CORAÇÕES IGNORANTES...
VIVE NOS CORAÇÕES DOS DISPLOMADOS...
VIVE NO CORAÇÃO DOS QUE USAM ROUPAS COMPRIDAS NO SOL QUENTE COM MEDO DE OFENDÊ-LO...
VIVE NO CORAÇÃO DOS QUE DÃO O DÍZIMO ACREDITANDO DE VERDADE QUE É PRA DEUS, MESMO NÃO SENDO...
ELE VIVE NO INTERIOR, NÃO MAIS NA CIDADE...
ELE VIVE EM ESTRADAS DE TERRA E NÃO MAIS EM PISTAS DE ASFALTO...
ELE VIVE EM CHOUPANAS E NÃO MAIS EM PALÁCIOS...
ELE VIVE ENTRE OS QUE ANDAM A PÉ E NÃO MAIS DE CARRO...
ELE VIVE ENTRE DOENTES E NÃO MAIS ENTRE OS SÃOS...
ELE VIVE ENTRE OS QUE TÊM FOME E NÃO MAIS ENTRE OS QUE COMEM...
ELE VIVE ENTRE OS QUE NÃO TÊM MAIS LIBERDADE, INDEPENDENTE DA PRISÃO...
ELE VIVE ENTRE OS QUE SABEM QUE NÃO SÃO...
ELE VIVE ENTRE OS QUE SABEM QUE NÃO POSSUEM...
ELE VIVE ENTRE OS QUE SABEM QUE NÃO PODEM...
ELE VIVE ENTRE OS QUE SABEM QUE PRECISAM...

O DEUS QUE VIVE TEM MANIA DE COISAS SIMPLES...

... e o que morreu? Bem, o que morreu, ele já morreu e deve continuar morto... sintam o cheiro da universal putrefação divina.

AGORA...





Devagar
Sem pressa
Nada de relógio
Agora somos só nós dois...
Como sempre sonhamos... sem pressa, sem relógio, sem dor...
Agora só existe o céu e nós dois...
És minha e eu, aparentemente entregue, sou teu
Não nos esquecemos de nos termos e agora nos temos...
Vamos esquecer de nos lembrar que como tudo na vida isso vai acabar...
mas agora não... estamos sem pressa, sem relógio e sem dor...

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Ausência presente


Tenho estado ausente de mim...


e presente em lugar nenhum...

sábado, 8 de dezembro de 2012

CONVERSA COM A MORTE I


Semblante grave, roupa mais escura do que clara...
A personagem se apresentou como a morte...
Sentou na beira de minha cama e disse que não precisaria saber o meu nome, pois não era a minha hora...
Ela disse que veio me visitar, pois apesar de ser a morte, achou interessante minha vida...
Afirmou gostar dos livros que leio, das músicas que ouço e dos filmes que vejo...
Num piscar de olhos sumiu e fiquei com a sensação que ela é a minha maior certeza...

domingo, 28 de outubro de 2012

Nós...

Não sei o porquê...
Mas perdi a habilidade com as palavras depois de adulto...

Não consigo falar, por isso o silêncio
Mas consigo te ouvir, mas também não falaste

Por isso escrevo, mas não espero resposta...
Sobre a vontade de te ver que dói... bem-vinda ao clube

Meu silêncio foi falta de habilidade com as palavras...
Minha fuga foi uma extrema mistura de peso na consciência e fardo metafísico, acho que é a prova de que não sou um menino tão mal, embora tenha tentado...

Nos sentimos péssimos e idiotas quando queremos tanto tocar alguém que está a um abismo de nós...
Sobre ser usada, perdoe-me, sempre se usa uma pessoa que nos inflige uma saudade de anos...

Percebes todas as diferenças... e eu só percebo a mesma e igual vontade nos dois de estarem juntos numa praia onde o banho é proibido...

"Se queres saber, sinto saudade de você sim (eu também de ti...)

mas não faz mais sentido algum continuar com isso (não faz nenhum sentido parar... eu continuarei)

Eu cansei de te agredir (nunca me senti agredido, a não ser pela distância)

e não quero mais me sentir agredida também (sentimento equivocado como a nossa história...)

somos adultos agindo feito crianças há muito tempo (não sei tu, mas eu sim, sou culpado de toda criancice...)

e eu me cansei disso (a única coisa que me cansa é a distância de ti)

Vamos nos respeitar e nos afastar de vez (Como? Se nos afastarmos é o maior desrespeito de todos...)

antes de nos odiarmos (Já nos odiamos por não podermos estar juntos... não tem mais volta... vai ser ódio pra vida toda... rsrsrsrs... te odeio por viveres querendo terminar tudo o que não tivemos e não nos deixar sonhar em termos tudo o que podemos... já te odeio faz tempo... rsrsrsrs...

Se cuida (Sem ti... sou um eterno descuidado...)"

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

INEFÁVEIS

Falaste-me do filho que toca divinamente bem
Falaste-me da filha que canta divinamente bem
Falaste-me dos três juntos: tu, ele e ela

Eu só ouvi
Sorri
Acho que te olhei nos olhos

Não falei nada porque desaprendi
Mas te ouvi

Na curteza de minhas palavras
Eu te perdi perdão
E disse que seria a última vez...

Não sabemos o que exatamente "seria a última vez"

Mentiste e até hoje fiquei sem saber o porquê...
Mas e daí, a mentira é parte inefável de nossa humanidade frágil e curta...

Escrevi esse texto porque tô com saudade
Mas e daí, a saudade é parte inefável de nossa humanidade frágil e curta...

Me arrependi tanto de não ter feito mais depois de tantos anos,
Mas e daí, o arrependimento é parte inefável de nossa humanidade frágil e curta...

Comecei a estrofe anterior com pronome oblíquo e isso não pode
Mas e daí, eu te fiz sofrer e isso também não podia...

terça-feira, 10 de julho de 2012

NOSSOS OLHOS


Estou no Rio de Janeiro e há quem diga que é uma cidade promíscua, dada a festas, profana e potencializadora da ausência de Deus. Há até os que veem, no Rio, a Babilônia brasileira, Sodoma, Gomorra e todos os símbolos do mal que existem por aí.

Confesso que estou cansado desse tipo de gente, cansam-me os de retina diabólica. Ontem, tive o prazer de desfrutar do Pão de Açúcar, daquela vista, daquele vento gelado, daquelas pessoas bonitas e aí me perguntei: - Se todo o mal do mundo me prova que Deus não existe? Todo o bem me prova o quê? 

As infinitas belezas do Rio me provam a todo instante que Deus existe sim! E o mal, em grande parte, não tem nada a ver com Deus ou diabo, mas sim com os homens, pois todo o mal ou bem que fazemos ou recebemos é, antes de tudo, uma escolha nossa. 

Então, por favor, sem rótulos, sem máscaras. As coisas são o que são e "os teus olhos são a luz do teu corpo. Se eles forem bons, todo o teu corpo terá luz; mas se eles forem maus, todo o teu corpo será tenebroso"(Mt. 6:22 e 23). 

E depois? Começaria tudo outra vez...


"(...) mas passou nosso tempo, não podemos negar(...) quero que você viva sem mim(...) depois de aceitarmos os fatos vou trocar seus retratos pelos de outro alguém. Meu bem, vamos ter liberdade para amar à vontade sem trair mais ninguém (...). Ei de ser feliz também depois."

Depois, depois e depois... Marisa Monte foi precisa na escolha desse título, na escrita desta letra, precisão divina. Quantos de nós não vivenciamos vários "depois"? Todos. Uns temem o "depois", mas não tem como nos livrarmos dele, com ele vem a dor, o sofrimento, uma certa solidão. Ou não... depois do "depois" vem a alegria, um sorriso quase esquecido, uma sensação de liberdade há muito não vivenciada.

O fato é que a vida é uma grande sucessão de "depois", mas e aí? O que fazer? O que fazer depois de nossos "depois"? Tenho algo a sugerir: 

"Vida, vamos nós
E não estamos sós
Veja, meu bem 
A orquestra nos espera
Por favor, mais uma vez
Recomeçar" 

Gonzaguinha sugeriu começarmos tudo outra vez e eu, de fato, "começaria tudo outra vez, se preciso fosse, meu amor". 

REPÚBLICA DO SORRISO


Sou professor
Sou afeito a sorrisos
O sorriso dos meus alunos me encanta
Há quem diga que faço sorrir porque não sei ensinar,
mas prefiro crer que porque sei ensinar é que faço sorrir.

Gosto de alunos que sorriem
Adoro responder os sorrisos
Há quem diga que devo ser sério
Mas eu sou, insisto! Eu os ensino a sorrirem com muita seriedade.
Ou não seria sério ensinar a sorrir ou sorrir ao ensinar?

Esse texto é um manifesto do sorriso
Por uma educação dos sorrisos

O tempo levou minha infância e me obrigou a ser adulto
Mas nunca me levará o sorriso
Nem na hora da morte

Até por que sei que depois dela é que o sorriso será, de fato, uma constante!

terça-feira, 5 de junho de 2012

O insofismável encontro


Hoje, de 11:30 às 15:00 estive na companhia da imaginação, lado a lado com o paraíso
Conversei com o humano-divino
Ela é alta, sorriso fácil e olhar não humano...
Eu a ouvi, desfrutei de sorrisos e falei algumas coisas recheadas da insignificância dos mortais
Ela, com educação de quase deusa, ouviu-me
Pensei coisas sujas, tipo “me dá um beijo”, ela na onisciência de quase deusa, leu meus pensamentos e fingiu não entender... até por que não deve ter entendido mesmo, afinal... são dimensões muito diferentes...
Não fiz altar
Não louvei
Mas me deu vontade de ser ateu e tê-la só pra mim...
Contanto ficou tudo assim... paraíso é paraíso, imaginação é imaginação, deusas são deusas e humanos são humanos... pra mim fica o texto e a sensação de acompanhar o divino na terra por algumas horas, pra ela... pra ela... não sei, deve ter sido mais uma experiência com a raça humana.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Poema suicida

Vontade de morrer...
Não eu
A vida, existem vidas que têm vontade de morrer
Elas se matam
vulgo suicídio
Isso causa em mim uma série de interrogações e exclamações...
Por quê?
Matou-se!?
Foi-se? Pronde?
últimos instantes... terror, ou o sorriso dos da 2ª geração...
Penso que haveria outra solução, que não a fuga, que não a ausência

Adiantamos o 13º, as férias, mas a morte... a morte?! 

E a vida, como fica?
A vida já é tão difícil de ser vivida a ainda vou querer morrê-la


Entre a dificuldade de viver e a incerteza de morrer, prefiro a primeira...
Aos suicidas, fica o meu misto de respeito, pena e incompreensão...

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

QUATRO QUASE ILUSÕES...

Beto Guedes
Na música "quatro"
diz assim: "A nuvem pálida no céu desses meus desejos
encobre toda a paz
e põe no meu caminho quatro ilusões
Amar, viver, cantar e ser
o que eu não posso negar"


Entendes?
Não.

Permita-me explicar...

São quatro ilusões em nossa existência:

Amar,

viver,

cantar

e ser
o que eu não posso negar

Mas sem ilusões ficaria assim...

Amar você...

viver com você...

cantar você...

e ser
o que eu não posso negar, totalmente seu...


A ENCANTADORA DA NOITE

De noite
Bem de noite
Na total ausência do dia
Conheci você

Bela, dada, riso fácil
e conversa encantadora...

Mas aí veio o dia
E como já não era noite
Sumiste

E eu, desde então
Fico a querer transformar todos os meus dias em noites
pra ver se um dia consigo te encontrar...

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Foste

TIVE ALGUÉM QUE ME CHAMAVA DE PETER PAN
ERA A MINHA SININHO


ELA, COMO FADA APARECEU
E COMO FADA DESAPARECEU


ELA NÃO ENTENDEU QUE NÃO QUERO CRESCER
AÍ ELA FOI EMBORA CRESCER SOZINHA


E EU CONTINUO AQUI
ESCREVENDO BOBAGENS COMO A CRIANÇA QUE SOU


NA ESPERANÇA DE UM DIA ELA NOVAMENTE ME LER...

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

FUNERAL DE MORTO


- Depois que me deixaste, eu sofri.


- Sofri tanto, tanto, tanto... pensei que iria morrer. Era uma tristeza que vinha de cima, de baixo, do lado, de frente, de trás. Deixei até de tomar sorvete porque lembrava de ti.


- Não fazias questão de te esconder com outras mulheres, passavas por mim com elas e parecias zombar de mim pra elas, pois todas elas sorriam ao passar por mim... aquilo me afligia, deixava-me louca, era um misto de vergonha, tristeza, arrependimento. Eu perguntava pra mim mesma: - Por que ele faz isso comigo? Eu só o amei. Fazia tudo pra ele. Tratava-o como rei...


- Depois de ti nunca mais fiquei com ninguém. Criou-se um medo em mim...


- Nossa filha... nossa filha, tua única filha, tão linda, tão inteligente, tão doce, nem a ela respeitaste... como pôde deixá-la vê-lo com outra em nossa cama? És um animal irracional. Ela nunca fala disso, só prefere não ver suas fotos, nem ouvir falar teu nome. Tenho a impressão que a palavra pai a incomoda. No dia dos pais ela se tranca no quarto e passa o dia inteiro ouvindo música alta e assistindo aos filmes baixados da internet. Só a vemos no dia seguinte, com um sorriso cinza, quase triste que vai se colorindo com os outros dias até ficar cinza e quase triste no próximo dia dos pais...


- Nunca tentaste se reaproximar, nunca demonstraste arrependimento, nem um cartão, nem uma ligação. Não precisava ser pra mim! Mas para a tua filha, pra tua filha, pra tua filha, seu filho da puta, miserável, bandido... nós te amávamos! Nós te amávamos... (choro forte, soluço, choro descontrolado...)


Ninguém sabia o que fazer... todos estavam ali escutando o desabafo íntimo público... até que a filha veio até ela e a tirou de cima do corpo do pai...


Ela, desesperada, abraçava a filha com força e gritava: - Ele se foi! Ele se foi! Teu pai se foi... (choro alto e forte).


A filha, com serenidade sobrenatural, abraçou a mãe com força, afastou o rosto dela de seus ombros, olhou nos seus olhos e disse: - Ele se foi há muitos anos. Continuaremos só nós duas como sempre foi.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

RONDA

“De noite eu rondo a cidade
A lhe procurar, sem encontrar
No meio de olhares espio
Em todos os bares
Você não está...
Volto prá casa abatida
Desencantada da vida
O sonho, alegria me dá
Nele você está...
Ah! Se eu tivesse
Quem bem me quisesse
Esse alguém me diria
Desiste, essa busca é inútil
Eu não desistia ...
Porém com perfeita paciência
Volto a te buscar
Hei de encontrar
Bebendo com outras mulheres
Rolando dadinhos
Jogando bilhar...
E nesse dia então
Vai dar na primeira edição
Cena de sangue num bar
Da avenida São João...”

(Paulo Vanzolini)



Conheceram-se adultos. Ela, sempre muito estudiosa, tirou o ensino médio aos 17, entrou cedo na faculdade de pedagogia e lá o conheceu. Ele, da turma do fundão, tirou o ensino médio via supletivo, sem apoio de pai ou mãe, começou a trabalhar cedo e sabia o que era a dureza da vida.


Na faculdade de pedagogia particular que estudou, conheceu-o na máquina de xerox. Ele era o famoso João da cópia, ralou demais para conseguir aquele espaço, trabalhou na feira, lavou o carro do reitor por alguns anos, juntou dinheiro, comprou a máquina e negociou o espaço diretamente com o reitor. O que lhe custaria ainda algumas lavagens de carro quinzenais, fora o aluguel. Mas homem de trabalho que era não tinha medo da dureza e conseguiu seu espaço. Aprendeu a mexer com a máquina de xerox com um senhor com o qual havia trabalhado anos atrás.


Ela, a professorinha, tinha sempre desconto nas cópias com ele, às vezes nem pagava. Ela aceitava, pois a quantidade de cópias pesava no orçamento.


Jovens, recém-adultos, depois de tantas cópias, tantas páginas, apaixonaram-se.


Ele, como em todo início, mil gentilezas, muitos filmes, nada de amigos, era somente ela. E ela por sua vez, sem cobranças, muito pão de queijo, beijos e amores.


Casaram-se. Ela formada, concursada e lotada em uma escola no centro, rua São Bento, início da São João. Ele, microempresário do ramo de cópias, já mandava alguém lavar o carro do reitor. Nunca ficariam ricos, mas conseguiram se livrar da extrema pobreza e fixaram-se num apartamentozinho apertado entre os prédios ocupados com escritórios de representações, advogados, médicos ou outra atividade prestadora de serviço. Para ele a facilidade para lidar com a boemia do centro, para ela a facilidade de morar perto do trabalho.


O tempo passou e com ele veio a rotina, a mesmice, um desafeto sereno, o descuido descuidado, as horas se passam, o futebol toma mais tempo, a bebida com os amigos se torna frequente, camisa com marcas de baton, perfumes estranhos...


Ela, por sua vez, aumenta a carga horária de aulas, traz mais trabalho pra casa, são mais provas para elaborar e corrigir.


Os dois se envolvem numa ausência presente mútua. Surgem as brigas, discussões mais ríspidas. Ela prefere as provas e ele os amigos, ela a escola e ele o bar, dificilmente jantavam ou almoçavam juntos.


Ela, mais do que ele, incomodava-se com a demora na noite, feria-lhe o baton, pertubava-lhe os estranhos perfumes . Ele, agora frio e distante, pouco se ocupava dela.


Numa dessas noites solitárias, ela se ocupou de pensar nele, bateu uma saudade antiga, ela levantou do sofá, foi ao quarto pegou uma camisa dele e se irritou com o estranho perfume, revirou os bolsos e leu o bilhete manchado de baton e com cheiro de cerveja e cigarro que dizia: “ela não te merece, vamos fugir”.


Uma mistura de raiva, dor e mágoa se apoderaram dela e, mesmo de noite, ela saiu a rondar a cidade a lhe procurar, mas sem o encontrar.


Ela continua e no meio de olhares espia em todos os bares e ele não está.


Volta pra casa abatida, desencantada da vida, mas mesmo assim, nesta noite sonha com ele e se alegra.


Ela não foi trabalhar, liga para uma amiga confidente, fala sobre a ausência do marido, a indiferença, a distância, a frieza, a inércia, a tristeza, a dor, a angústia, a desilusão e a amiga sentencia: - Desiste, essa busca é inútil.


Mas ela não desiste, ela sabe que ele está ali, tão perto e tão longe, pelos bares... bebendo sua vida. Com perfeita paciência, ela volta a buscá-lo e o encontra bebendo com outras mulheres, rolando dadinhos e jogando bilhar...


E um dia depois deu na primeira edição: “Cena de sangue num bar da Avenida São João”.


Trecho da notícia: “(...) testemunhas deram conta de que a jovem chamou a vítima, mas a vítima a tratou com indiferença, virou um copo de cerveja, puxou uma mulher que estava na roda e a beijou. A jovem tirou da bolsa um revólver calibre 38, de acordo com a perícia. Todos correram, menos ele. A mulher beijada por ele também correu, ele tomou mais um gole de cerveja, sentou em uma cadeira e a olhou nos olhos. Ela, por sua vez, perguntou: - Por quê? e disparou um tiro certeiro no meio da testa da vítima, ele nem tombou da cadeira, só a cabeça que caiu por cima do ombro e ali morreu de olho aberto. Logo em seguida ela olhou para os lados e, chorando muito, deu um tiro na boca e caiu por cima da poça de sangue da vítima (...).



sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Das desigualdades sempre iguais...

No país da corrupção
quem tem vez é ladrão
Viva o Brasil
Viva Roriz
Entorte o nariz, mas continua a Roriz
Na legislativa do Pará, não para, não para, não para
Todo dia tem nova denúncia
é guerra de licitações fraudulentas
Todo mundo levou um pocão, só o povo ficou de pires na mão...
Preso?
Quem foi preso?
Ninguém, abestado.....
Agora o mínimo é 619...
Alguém sugeriu - arredonda prá 620
e outro gritou - Ô imbecil, esse é o máximo que se dá para o mínimo...

Folha de São Paulo 03/08/2011: "STF aprovou salários de R$ 30,6 mil"

mínimo R$ 619,21
STF R$ 30,6

Olhando rápido... parece até que ganhamos mais - hahahaah...

domingo, 27 de março de 2011

Nos vemos o quanto antes...



Não poderia ser outra foto, tinha que ser essa, pois nela vemos o teu sorriso e o reconhecimento de teu talento... (vemos também o quanto eras baixinho - rrsrsrsrsrs..)

Dia 24 último achaste de nos deixar, assim, sem avisar, quando te chamaram no céu, foste e nem olhaste para trás... mas não esquenta não... eu também faria o mesmo... aqui é muito chato...


Imagino-te fazendo Davi rolar de risos aí no céu, vejo-te aguarrado nas saias da irmã Maria José, como criança cansada da ausência da mãe amada, cansada da vida adulta chata aqui da Terra, casada de vendas, cansada de tantas viagens, casada de tantos ensaios, tantas cantatas... casada da séria vida adulta (seriedade de adoravas contrariar...).


Estavas cansado de fazer de todos os problemas mais uma piada, mas de todos os cansaços possíveis, sei que DEUS cansou de viver no céu sem a alegria do João, a humanidade não te merecia mesmo, eras daqueles "DOS QUAIS O MUNDO NÃO ERA DIGNO"...


Sei que agora acabaram-se as vendas, as viagens e os ensaios.


Mereces, mais do que todos nós aqui na Terra, o descanso, a paz, a eternidade... a nós, resta a saudade alegre, a alegria triste de tua ausência, a certeza plena de onde estás, a felicidade compartilhada por saber que estás em nobre companhia, resta-nos a tristeza da partida, mas também nos resta a alegre certeza do reencontro... reencontro este breve... muito breve...


Obrigado, João!


... e até mais logo... aí, no céu!


"Perece o justo, e não há quem considere isso em seu coração, e os homens compassivos são recolhidos, sem que alguém considere que o justo é levado antes do mal. Entrará em paz; descansarão nas suas camas, os que houverem andado na sua retidão." (ISAÍAS 57:1-2).

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Incrédulos

Sou íncola
Das palavras frias, quase cinzas...

Sou incompassível
Dos que não amam ler...

Sou inconcusso
Dos que entendem a vida, mas não entendem a arte...

Sou inconspícuo
Dos que me amam em vida...

Sou inconsulto
Dos que consultam a vida...

Sou incorpóreo
Dos que buscam o belo...

Sou incorreto
Incorrigível
Incorruptível
E de tantos “ins”
Incrédulo dos que se dizem sem fé em DEUS...

Das sem nexo...

Da inútil ausência se aproveita a aurora
Na feroz jornada se aproveita a estada
De quando se está sozinho se aproveita o nada
E da feliz jornada se aproveita o fora

Das palavras sem nexo, das idéias incivis
Se faz um poema relapso que não será nem lido e
Que logo será abatido...