sábado, 29 de março de 2008

Solidão docente

A pós-modernidade tende a transformar a solidão no grande mal-do-século, solidão gera tristeza, depressão, angústia e por conseguinte, doenças psicológicas, traumas e maus quase irreversíveis.

Mas nada disso é verdade na sua essência! Tudo depende da qualidade da solidão...

Solidão é preciso, viver não é preciso, ou melhor, para viver é preciso um pouco de solidão. Nossos poetas românticos provam isso, mais precisamente a segunda geração.

Se não fosse a solidão, como Álvares de Azevedo escreveria “Lira dos vinte anos”, como teríamos as poesias simbolistas de Cruz e Sousa se o poeta não se entregasse à solidão da noite como ele mesmo nos testemunha no poema ‘violões que choram’: “Noites de solidão, noites remotas / Que azuis da Fantasia bordo / Vou constelando de visões ignotas”.

Um leitor mais afoito pode ponderar: esses aí morreram na solidão! Sim. Pode até ser verdade, mas não morreram “de solidão”. Porque a boa solidão não mata, faz viver! Nossos poetas morreram por mil motivos, mas nenhum diz respeito à solidão.

Vejamos Fernando Pessoa, que na solidão foi gênio, mas no álcool teve seu fim.

A docência da solidão reside no fato de que com ela aprendemos a nos escutar, aprendemos a falar com o nosso ser interior, é na solidão que nos ouvimos.

É na solidão que aprendemos a grandeza de Deus, a miudeza do homem, as futilidades da vida e o principal: é na solidão que aprendemos o quanto precisamos do outro e o quanto é difícil seguir sozinho no caminho da existência humana.

Foi na solidão do getsêmani que Jesus aprendeu o quanto era preciso ele morrer por nós para que hoje pudéssemos fazer da solidão uma professora e não mais um inimigo.

Das coisas da morte

Ontem, próximo a mim, falaram de cemitério, falaram algo do tipo “meu amigo mora num cemitério...”. desprezando a estranheza da informação me peguei a refletir sobre o cemitério.

Para alguns, o cemitério representa tormenta, tristeza, dor e angústia, mas aqui entre nós meu querido leitor, cemitério é, além de descanso, saudade!

É lugar de gente morta, pessoas já sem vida, inertes, indiferentes... Quando se ouve algo em cemitério, se ouve choro, nada além do que choro, lágrimas e saudade, sem contar um cheiro de flores tristes.

Saudade também me parece uma metonímia de cemitério, pois a associação entre cemitério e ausência é automática, cemitério é saudade, ausência, impossibilidade extremada da presença do ausente.

Daí rolam algumas lágrimas, surge a vontade louca da presença, de um longo e apertado abraço, queremos ter, desfrutar e sentir a presença do eterno ausente. Mas como nos disse Guimarães Rosa “um demasiadamente ausente” impera, nada de voz, nada de cheiro, só lembrança.

Termino dizendo ao “morador de cemitério”, provocador desse escrito, que cemitério não é presença de mortos, é só uma insofismável e perturbadora ausência de vivos, por isso, não tenha medo!

Mas não se esqueça de uma última e dolorida lição: a ausência dos vivos causa muito mais dor que a torta presença de alguns vivos, pois enquanto há vida há esperança, mas na morte a ausência implacável só nos permite a esperança da saudade.

“Coração, por que tremes? Vejo a morte

Ali vem lazarenta e desdentada...

E que noiva!... E devo então dormir com ela?

Se ela ao menos dormisse mascarada!”

(Álvares de Azevedo – O poeta Moribundo)

Elegia

É ainda noite

Eu sei...

Estou aqui sozinho

Eu sei...

A ausência disso é ruim

A falta da presença não é bom

Mas ainda assim...

É duro eu sei...

Viverei

Eu sei...

Sozinho eu sei...

Mas esperançoso eu sei...

De um dia estar contigo

EU SEI!

Saudade

Às vezes fico pensando em como seria voltar a ser criança. Daí eu assistir tanto Bob Esponja, Smurf, Chaves, Pica-pau e por aí a fora... é uma vontade louca de voltar a ser criança.

Das muitas coisas chatas de nossa existência, nada é mais chato do que ser adulto. Ser adulto é frio, é superficial, é metódico, é rigoroso. É “cheio de não me toque” ser adulto.

Passei 15 dias em Belém (15/03/2008 – 03/032008) e como foi bom. Consegui reunir boa parte de meus amigos de infância para uma grande partida de futebol, foi uma apoteose de adultos gordos, ruins de bola, mas que tinham em comum essa vontade louca de voltarem a ser criança e comungavam comigo a chatice que é ser adulto. Se morrer hoje morro feliz, pois consegui reunir a grande maioria das pessoas que me conhecem, que gostam de mim, que sabem de todas as minhas falhas e imperfeições e mesmo assim me suportam e têm prazer em estar comigo.

DEUS sabe o quanto eu desejava isso... depois de cinco anos de estudos, distante da terra natal, poder rever os amigos e desfrutar de uma tarde regada a futebol na companhia deles valeu muito a pena.

Obrigado JESUS, foi tão bom desfrutar a presença daqueles que me amam, daqueles que cresceram comigo, daqueles que torcem pelo meu sucesso, foi muito bom mesmo!

Todos crescemos, todos vencemos! Mas ainda fica aquela vontade louca de voltar a ser criança. Minha esperança é que CRISTO volte logo e nos leve a sua presença, pois a Bíblia diz que somente as crianças verão o reino e desfrutarão da glória. Maranata!

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Sobre o morrer e o viver...

No tempo que estou aqui em Belo Horizonte morrerem duas pessoas de meu mais alto apreço: o irmão João Nonato e a Irmã Benedita.

Dois gigantes da fé, o primeiro um missionário anônimo, nunca vestiu belos ternos, nem tinha a desenvoltura de grande orador sobre os púlpitos das igrejas, mas trago na memória seu rosto suado e cansado com a Bíblia nas mãos cheia de literaturas evangelísticas, era um homem que amava sua família, amava a igreja e sei, tinha um profundo amor por minha pessoa। Eu sempre tentei convencê-lo de que minha teologia fria e engessada era a solução para a igreja, mas ele sempre terminava a conversa com um argumento robusto e invencível: “o que interessa são as almas, Junhão”.

Ele se foi, mas aprendi com ele, e não no seminário “que o que interessa são as almas”. É verdade meu bom irmão, é verdade. Mas também é verdade que já estás ao lado do Mestre amado com a sua e as várias almas que conseguiste aqui com sua persistência doce, com os seus domingos dedicados ao evangelismo, enquanto eu me esbaldava no futebol.

Muito OBRIGADO IRMÃO, ainda que tarde, mas MUITO OBRIGADO por essa sua descarada verdade: “o que interessa são as almas”.

Se eu pudesse falar com o senhor antes da partida eu diria... vá na paz meu irmão Provérbios 11:30.

A outra partida, não menos dolorida, foi a da irmã Benedita. Uma mulher de oração. Sou avesso aos profetas, mas ela, ela... além de profeta, era uma das cristãs mais próximas de Hebreus 11, eu a chamaria de Hebreus 11:38. Obrigado por existir, foi bom orar com a senhora, foi bom ouvir Deus falar comigo através de sua boca, foi muito bom, mas vá... vá na paz, aqui é muito ruim mesmo... me espere lá, nos veremos logo!


“E ouvi uma voz do céu, que me dizia: Escreve: Bem-aventurados os mortos que desde agora morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem dos seus trabalhos, e as suas obras os seguem.” (Apocalipse 14:13)
“Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?" (Lucas 12 : 20)"

“O fruto do justo é árvore de vida, e o que ganha almas é sábio.” (Provérbio 11:30)

"(Dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos, e montes, e pelas covas e cavernas da terra।" (Hebreus 11 : 38)

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

SISTEMAS ECLESIÁSTICOS, SIM. MAS, IGREJAS DE CRISTO, NÃO E NUNCA!!!!!!!!!!

Sou um homem da crítica! E como tal, faço parte de um grupo de cristãos que vêem com clareza e objetividade as mazelas dos vários sistemas eclesiásticos brasileiros. Vejo e vivo muitas das manipulações, opressões, enganos e ilusões criadas por esses sistemas eclesiásticos, sobre as massas famintas por libertação e graça que compõem tais sistemas eclesiásticos, que de tão ousados e pérfidos em seu modo de agir, se chamam até de igreja, e os mais diabólicos deles, se chamam até de igreja de Cristo.

O fato é que não são de Cristo. Já, se são do diabo, não posso afirmar com certeza, pois esse pode me processar por calúnia e difamação, bem como, danos morais, se bem que, do último, não há o que temer, pois desde a criação esse já não tem moral mesmo. Mas o fato é que tais sistemas são tão pérfidos e ao mesmo tempo imbecis em suas formulações litúrgicas e teológicas, que duvido da ação maligna, pois o capiroto, pé-preto, cramunhão, coisa-ruim me parece um sujeito bem mais inteligente. Acredito que quem fica com ônus da burrice em se deter a tais sistemas eclesiásticos é o ser humano mesmo!

Aqui me falta espaço para formular todas as minhas críticas a esses sistemas, mas, por hora me deleitarei nos fartos exemplos da IURD. Caberia aqui também assembléia de Deus(que há muito não sei é de Deus como pleiteia, mas...) e algumas batistas pós-modernos, que no devido tempo terão suas debilidades aqui expostas.

Os bispos da universal alardeiam: a RECORD É NOSSA! Alguns evangélicos até se empolgam com o tamanho da conquista, mas em termos de resultados para o crescimento do evangelho: ZERO. Através da Record, a IURD cresce, mas o evangelho não. Pode parecer paradoxo, cresce a IURD e não cresce o evangelho? SIM! É ISSO MESMO! Pois este sistema eclesiástico tem pouca coisa a ver com o evangelho, aquele evangelho da Bíblia, de Jesus, não estou falando aqui do evangelho das conquistas materiais, a tal da teologia da prosperidade, essa vale para os seus criadores, que ficaram e ainda estão ficando rico a custa de muitas guerras, mortes e invasões de terra alheia, mas para o Brasil essa teologia me parece fraca e insustentável. Não que ser rico seja ruim, não, de forma alguma. Mas, ficar rico na base do sacrifício financeiro em nome de Deus, aí é demais para minha mente!

Mas, voltemos a Record, leia comigo parte de um artigo, do autor cristão Julio Severo, publicado no site Mídia sem máscara – (www.midiasemmascara.com.br/artigo): O autor da novela Cidadão brasileiro, introduziu o tema gay de um modo sutil, sem ver nenhuma oposição dos bispos da Record. Ele confessa, na matéria da Veja: Eu me soltei mesmo. Até porque a emissora está aberta a novas experiências.

Leiam novamente a afirmação do autor da novela: Até porque a emissora está aberta a novas experiências. Não sei se estou equivocado, mas pensem comigo: seria, entre essas novas experiências, uma experiência homossexual? Ou não? Será que estou maluco? Ou não sei ler? Não falo mais nada, deixo com vocês Julio Severo, que não está sendo severo em suas poderações, só está sendo Cristão, Bibliocêntrico e Cristocêntrico: É impróprio até para uma emissora secular abraçar a causa gay como normal. Mas é difícil entender como a TV Record (que pertence ao Bispo Macedo) pretende — para usar uma expressão sem rodeios — trabalhar ao mesmo tempo para Deus e o diabo. Nunca se poderia imaginar uma emissora que se diz evangélica (nem sei se se diz... mas pela origem do dinheiro que a bancou, e quem sabe banca, bem como o trabalho de seu dono - bispo macedão, deveria ser evangélica) tratando da questão homossexual numa mensagem de adultério que nenhum benefício trará às famílias. Falta à Record e aos bispos que a controlam abrirem-se para novas experiências — com Aquele sobre quem eles tanto pregam. Outros até poderiam dizer que lhes falta vergonha. Faria muito bem aos bispos da Record pensar mais em Deus do que em dinheiro. Do contrário, a programação de sua televisão testará a paciência não só do povo do Brasil e do povo de Deus, mas também do próprio Deus.

Muito perspicaz o irmão Julio Severo em suas ponderações. Agora, me faltaria tempo para comentar sobre as fogueiras santas, que de santa não tem nada, a não ser muitas das pessoas que estão ali acreditando cegamente na provisão divina com base na troca financeira, não por convicção de crença, mas por ignorância bíblica e teológica. O descarrego, que me parece uma leitura evangélica pós-moderna da umbanda, é uma espécie de culto-afro evangélico, onde sai o terreiro e entra o templo evangélico, que na ânsia de parecer europeu, chamam-se de catedrais, sai a figura do pai de santo e entra a figura do pastor, e por fim, saí a figura dos exus e oguns entram os demônios dando entrevista e falando de suas intimidades diárias, como um espécie de “Revista Caras”, mas, um “Caras eletrônica”, pois aparece na tv e também evangélica, pois faz algumas citações, transloucadas, sem sentido e por conseguinte, infelizes, do texto bíblico e, às vezes, falam de Deus, Jesus, Céus e anjos, mas a preferência do script são os demônios, diabo, etc...

Faltar-me-ia tempo ainda para falar das longas entrevistas que o demônios(palhaços) dão na Record e em todas as rádios desse sistema eclasiáticos. Quando os vejo dando suas biografias, penso: Demônio pop star! Belzebu na mídia!. O ruim(ou bom, realmente não sei...) vai ser quando os seminários começarem a oferecer o curso de “teologia com ênfase em demonologia midiática”. E por aí vão os desvarios, heresias e imbecilidades desse sistema eclasiáticos pós-moderno.

Minha oração é para que venhamos a dar ouvidos ao texto de II Tm 4:2-4

2 - Que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina. 3 - Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; 4 - E desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas.

A PSICANÁLISE TEM RAZÃO

Um cristão mais desavisado pode, no ápice de sua religiosidade, torcer a cara para ciências como a psicanálise, partindo de pressupostos equivocados, como: esses caras são ateus, o pai da psicanálise, o tal do Freud, era ateu e por isso queria destruir toda experiência religiosa que nos cerca, ciência e fé não podem andar juntas e por aí vão as aberrações em nome da fé.

Todos sabemos das dificuldades inerentes a esta caminhada da fé com as ciências, mas o fato é que, em alguns casos, não poucos, as ciências têm nos mostrado como uma fé embasada em Jesus, na Bíblia, na ética e no compromisso com o outro e consigo mesmo fazem toda a diferença entre uma existência humana degradante e uma existência humana profícua.

É com base em grandes pensadores e pesquisadores da psicanálise que vou aqui mostrar a neurose social causada pela ausência de referências firmes e éticas que a fé nos possibilita, para além de uma vida sem Deus, sem paz e sem salvação.

Grandes psicanalistas como Erik Erikson e Rollo May afirmam que muito dos problemas de nossa sociedade, muitas de nossas mazelas, muito da desorientação da sociedade moderna, a falta de norma e de significado, são neuroses de nosso tempo que têm suas origens na diminuição da religiosidade.

Carl Jung, por exemplo, contradiz Freud explicitamente, ao declarar que a falta de religião, de uma religião viva, constitui a causa de numerosas neuroses, enquanto Freud asseverava que a religião propiciava as pessoas uma neurose obsessiva universal. Aqui é interessante observarmos que não é nenhum teólogo pietista que contradiz Freud, mas sim um psicanalista de renome mundial.

Na época de Freud, a repressão da sexualidade e o sentimento de culpa, eram causas fundamentais das neuroses de seu tempo, mas Küng, teórico renomado do tema e não cristão, afirma que hoje – nossas neuroses tem origem na falta de orientação, de norma, de significado, de sentido, o vazio, e, portanto a repressão da moralidade e da religiosidade.

ENTRE O ESSENCIAL E O SECUNDÁRIO

A principal diferença entre um homem de fé e o indiferente está no fato de que o primeiro renuncia a uma parte do secundário para ter o Essencial, enquanto que o segundo, tratando de agarrar todo o secundário, renuncia totalmente o Essencial.

Pe. Giovanni Martinetti

Nas minhas férias estive a ler um livro chamado: Razões para crer, do Pe. Giovanni Martinetti que me confirmou duas teses defendidas por minha pessoa. Primeiro: temos muitas razões para crer. Segundo: Muitos líderes evangélicos precisam aprender apologética com parte considerável da liderança católica. Mas como o tema do presente escrito não é a ignorância teológica da maioria de nossa liderança cristã-evangélica e sim, as inúmeras razões que temos para crer e fazer crer.

O livro é de uma riqueza apologética insofismável, é um livro que fala de fé com clareza, objetividade e razão, mostrando o quanto é razoável crer em Deus, na Bíblia e nas pessoas.

O que mais me chamou atenção no livro é como existem duas classes de pessoas bem específicas, a saber, o de fé e o indiferente. Mas para além dessa classificação didática e lúcida, nos fica também explícito quanto o indiferente sofre com tanta indiferença. Os indiferentes são realmente diferentes, pois é no meio dos tais que ocorrem mais suicídios, homicídios, abortos, divórcios, consumo de drogas e, nos últimos anos, tem crescido entre os indiferentes o número de soropositivos de Aids.

O fato é que faltam referências firmes aos indiferentes e essas referências estão em nossas mãos, nas mãos dos homens de fé, pois só nós é que podemos mostrar aos indiferentes que Jesus é o caminho a verdade e a vida (Jo 14:6). Nós devemos mostrar aos indiferentes que o Não matarás (Ex. 20:13) sempre vai será a melhor decisão. Nós, os homens de fé, devemos mostrar aos indiferentes que melhor é serem dois do que um, porque assim terão melhor proveito em sua existência e que, se um cair, o outro levanta o seu companheiro (Ecl 4:9,10). Devemos mostrar aos indiferentes que obedecer a mãe e o pai é justo e prolonga nossos dias na terra (Ef 6:1, 2). Devemos mostrar aos indiferentes que melhor é deixar a mentira e falar a verdade, porque somos membros uns dos outros (Ef 4:25). Devemos levar os indiferentes a venerarem o matrimônio e o leito sem mácula, pois isso os livrará do julgamento divino (Hb 13:4). Temos que mostrar aos indiferentes que existe um novo céu e uma nova terra (Ap 21:1), não podemos privá-los de saber que Jesus cedo vem (Ap 22:20)

O fato é que se você nunca disse nada disso aos indiferentes que sobrevivem ao seu redor, já não sei mais quem são os indiferentes desta história, mas passo a conhecer os causadores de tanta indiferença!

Nós temos e conhecemos o Essencial, compartilhemos! (I Co 11:23a).

Não é verdadeiro que o homem, como às vezes se diz, não possa organizar a Terra sem Deus. O que é verdadeiro é que, sem Deus, ele só consegue organizá-la contra o próprio homem!

Henri de Lubac – O drama do humanismo ateu.

PREGUEMOS O EVANGELHO SEM FALAR DAS BOAS NOVAS!

Outro dia, presenciei uma cena no mínimo, surrealista. Fui a uma grande igreja evangélica aqui em Belo Horizonte, em um encontro de jovens. A Igreja é muito grande, muito rica, estrutura fenomenal, gente muito bonita, pessoas de posses e com certeza crentes em Deus.

Mas o que me chamou a atenção foi uma peça teatral que durou cerca de 40 minutos e, pasmem, não trouxe uma linha em seu roteiro que falasse de Deus, Evangelho, Salvação, Bíblia, Volta de Cristo, Céu, inferno e todas essas coisas, que ao meu ver, para esta igreja estão um tanto quanto... fora de moda.

E para incrementar a presente discussão conversava com uma jovem filha de pastor que achou super legal a estratégia da peça: um evangelismo sem boas novas, que inclusive, é o que significa evangelho: BOAS NOVAS. Mas raciocinem comigo: vamos pregar o evangelho através de uma peça teatral, que me parece uma estratégia super eficiente, mas com uma inovação infernal, sem falar as boas novas. Você está entendendo? A geração de hoje acha uma estratégia interessante pregar o evangelho sem falar do evangelho! É isso mesmo, boas novas sem se falar de boas novas.

Nossas igrejas são confortáveis, temos uma banda muito afinada, os instrumentos mais caros do mercado, nos igrejas têm uma arquitetura supra-sumo, pessoas lindas e bem vestidas, carro com o tanque cheio, faço faculdade disso e daquilo, escrevo um super roteiro, encho os bancos de minha igreja de não-cristãos, faço-os rir muito, mas por favor, nada de evangelho, nada de boas novas, não, nada disso! Lutamos tanto para trazê-los aqui e agora vamos estragar tudo falando sobre essas coisas ultrapassadas, como: só vai para o céu os que aceitarem Jesus como salvador (Jo 14:6); Jesus cura (Mt 14:36); Jesus Voltará (I Ts 4:16); Devemos ser santos (I Ts 4:3); O céu é real (Ap 21); O inferno é real (Ap 20:15); Deus te ama (Jo 3:16) e por aí vão as possibilidades...

Percebes meu caro leitor, alguém aqui está ultrapassado! Ou são os super roteiristas de nossas peças quase-cristãs ou é a Bíblia!

Em Jeremias 23:28b diz assim: (...) e aquele em quem está a minha palavra, fale a minha palavra com verdade.(...). O texto nos diz que a Palavra só pode ser dita com Verdade se a pessoa que pronuncia tal Palavra a tem dentro de si, ou seja, só fala da Palavra com Verdade que tem a mesma dentro de si. E esse me parece o problema do nosso roteirista teatral, dos admiradores dessa estratégia inócua e de muitos da geração presente: não têm a Palavra dentro de si, isto é, conhecem-na, mas não a vive.

O nosso grande erro é vivermos como a geração ouvinte e não praticante que Tiago (Tg 1:22-25) nos alertava a mais ou menos 1957 (aprox. 49 d. C.) anos atrás naquele livro antigo chamado Bíblia Sagrada... Bíblia... Palavra de Deus... Escritura... Verdade...

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

DEUS MORREU? NÃO, RESSUSCITOU!

A estranheza da pergunta condiz com a estranheza de seu formulador. Nietzsche, filósofo alemão do século XIV, que nasceu numa família marcada pela experiência religiosa, tendo inclusive o pai e avô pastores protestantes, mais especificamente luteranos. Mas como essa história de que filho de peixe, peixinho é não é absoluta, Nietzsche enveredou para o ateísmo.

Suas obras ganharam notoriedade no mundo inteiro. A mais conhecida é Assim falava Zaratustra e a mais polêmica, sem dúvida, é A gaia ciência. A última nos interessa mais de perto, porque foi nela que Nietzsche demonstrou de forma mais intensa a sua mágoa com os cristãos. Nesse livro Nietzsche relata-nos a parábola do louco que trazia uma lanterna acesa em plena luz do dia e gritava pelas ruas: - Procuro Deus! Procuro Deus! Todos zombavam dele. Num dado momento, o louco olha com severidade aqueles homens na praça e sentencia: - Deus está morto, matamo-lo... vocês e eu! Somos nós, nós todos, que somos seus assassinos!. Depois de dar esta notícia, Nietzsche completou: O túmulo de Deus é a igreja!.

Estive pensando sobre a morte de Deus, estive pensando nela enquanto metáfora. Será que realmente não matamos Deus com tanta hipocrisia? Será que realmente não matamos Deus com tanta mentira? Será que não matamos Deus com tanta desobediência? Será que não matamos Deus com nossa Ética débil e descompromissada? Será que não matamos Deus com nosso cristianismo omisso e alienado? São questões a pensarmos.

Nietzsche não conseguia ver Deus, vivo, porque em seu tempo os padrões humanos estavam tão baixos e sem propósitos que a conduta natural levava a esta conclusão: estamos vivendo a vida como se Deus não existisse. Seria diferente hoje? Que igreja e geração de jovens cristão-evangélicos somos nós? Nossa vida mostra um Deus vivo ou um Deus morto?

Lucas relata-nos em At 11:26 que em Antioquia foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos. Sabe por que? Porque os discípulos pareciam com o Cristo Filho do Deus Vivo, vestiam-se como o Cristo, falavam como o Cristo, ensinavam como o Cristo e acima de tudo, viviam como Cristo.

A grande tacada para nossa geração é nos parecermos com Cristo e estar sempre preparado a dizer ao louco da história de Nietzsche que: Ele não está mais aqui. Ressuscitou – Mateus 28:6.

UMA MESA DA COMUNHÃO É POSSÍVEL

Esta semana estive lendo Rubem Amorese, mais precisamente o livro “Icabode – da mente de Cristo à consciência moderna”. Nesse livro ela faz uma análise profunda sobre como a consciência cristã tem sido abalada pelas influências da pós-modernidade (caso o termo seja possível). Em determinado momento do livro ele começa a falar sobre a configuração e construção da noção de comunidade na pós-modernidade.

Ele faz todo um passeio pela questão fazendo-nos notar que os nossos relacionamentos hoje passam por três grandes pilares, que para o autor constitui-se como o tripé da modernidade: a PLURALIZAÇÃO, PRIVATIZAÇÃO e SECULARIZAÇÃO. O presente ensaio não me permite um aprofundamento dos termos, até porque já denominei o meu escrito de ensaio e este gênero textual, de caráter curto, não me permite mais delongas.

Basicamente, pluralização diz respeito à “uma possibilidade de escolha muito intensa”, sei que pluralidade de escolha sempre existiu, mas o autor aponta que hoje as opções são tão intensas que nos criou uma “consciência de eleição”: um processo inconsciente pelo qual entendemos que sempre podemos escolher, eleger, manifestar preferência, como se passássemos a viver numa sociedade-supermecado, repleta de variedades. Opção é a palavra chave. Essa consciência de eleição é tão forte no homem moderno, que ele se torna revoltado com a simples falta de alternativas. Com isso a modernidade passa a se opor de forma veemente aos absolutos, as afirmações categóricas, aos axiomas e coisas parecidas. Agora tudo é muito relativo e isso cria o segundo pé do tripé da pós-modernidade, a PRIVATIZAÇÃO. Nesta o que vale é o “ego”, personificado no famoso “dá licença”. Quem nunca se deparou com alguém que, na impossibilidade de defender seu posicionamento diz-nos: “- dá licença!”.

Geralmente esses são os que se colocam contra a moral e a ética: “- sou a favor do casamento gay, aborto e adultério, dá licença!”. Geralmente, essas pessoas têm a tal da privacidade, mas a essas falta a intimidade. E pra fechar o tripé defendido por Amorese, ele nos fala sobre a SECULARIZAÇÃO, que é a capacidade que temos de viver como se fossemos deste mundo, ou seja, somos moldados como cidadãos do mundo e conseqüentemente começamos a introjetar em nossas personalidades características bem mundanas, como a diversidade amorosa, honestidade débil, ética comprometida e por aí a fora...

Mas o autor nos mostra uma outra possibilidade possível, uma possibilidade na qual nos vejo enquanto célula de jovens cristãos que querem a todo custo agradar a Deus e alcançar outras pessoas com a salvação de Jesus, é a possibilidade do tripé da comunhão: CONSTÂNCIA, PERMANÊNCIA E FIDELIDADE.

Esse é o tripé que fundamenta e possibilita uma questão vital para a nossa Sobrevivência Espiritual, é o aprofundamento de nossos relacionamentos. Nós precisamos, pessoal, precisamos aprofundar os nossos relacionamentos, precisamos estar juntos a mesa da comunhão. Essa metáfora da mesa me parece um tanto quanto pertinente, pois foi a mesa que Jesus esteve com as pessoas em comunhão, leia Lucas 15, Jesus recebia em sua casa e mesa os mais vis e deprimentes publicanos e pecadores.

Desde Lucas 13 existe uma certa preocupação dos fariseus com relação a essa questão do banquete messiânico. Há, nitidamente, uma idéia de identificação, de estar à vontade, de comprometimento, de cumplicidade no rito de estar à mesa. É do comer junto que vem a expressão “companheiro” – ‘cum panis’, aquele que come pão junto.

Então, pessoal, comamos pães juntos o máximo de vezes possível, pois somente assim venceremos os tentáculos da pós-modernidade e seremos mais constantes, fiéis e permanentes em nossos relacionamentos com DEUS e com o próximo.

CARTA ABERTA AOS QUE ESPERAM O CÉU...

Havia um homem super querido por seus colegas de profissão, era médico, muito famoso, professor em uma das maiores faculdades de medicina dos E.U.A., ganhou o respeito e a admiração tanto de profissionais como de seus pacientes.

Esse médico alcançou o máximo do sucesso na sua profissão, desfrutava de status e benefícios financeiros à altura de suas realizações. Ele havia provado de todas as coisas boas da vida, pelo menos nos padrões do mundo. Mas esse homem morreu, é, morreu mesmo, puf! Já era!

Na reunião póstuma dos professores da faculdade onde ele dava aulas foi feito uma homenagem de cinco minutos com a leitura de algo muito bonito sobre sua vida e depois disso fizeram um minuto de silêncio, depois tudo acabou.

Pergunto a Deus!? Senhor, isso é tudo? Nos afligimos e trabalhamos para alcançar um lugar na vida, para impressionar nossos companheiros com nossa competência, levamos tudo tão a sério, valorizando em excesso os insignificantes momentos e eventos de cada dia que se passa. Para então tudo terminar em cinco minutos e mais sessenta segundos!?

Todos aqueles grandes intelectuais e médicos ficaram a se perguntar: para onde ele foi? Ele viverá de novo? Encontraremos com ele no outro lado? Existe outro lado? Por que ele nasceu? Todos os seus atos foram registrados por um Deus de amor? Esse Deus se importa comigo? Existe um propósito na vida além de teses, pesquisas e automóveis caros? A resposta silenciosa daquelas pessoas cultas naquela reunião póstuma simbolizava a incapacidade humana de lidar com essas questões.

Vida: É Só Isso?!

Milhões de pessoas hoje em dia reconhecem que não entendem o sentido da vida. Sociólogos nos afirmam que uma busca desesperada de verdade espiritual está varrendo toda nossa cultura ocidental. A geração pós-guerra tem procurado algo em que acreditar por quase três décadas. Nos anos setenta, eles estavam envolvidos em uma busca que veio a ser conhecida como a descoberta da pessoa. Isso motivou alguns deles a participarem de reuniões de psicoterapia de grupo onde todos ficavam nus, de meditação transcendental, de buscar reencarnação e outros tipos de misticismo oriental, percepção extrasensorial, astrologia, psicanálise, massagens terapêuticas, teologias radicais, e de seminários de valorização do ego.

A busca dessas pessoas fracassou miseravelmente. Na verdade, muitas delas saíram desses programas ainda mais confusas e frustradas do que antes. Mas aqui está, por que?

O fato é que, até que consigamos nos acertar com o Senhor, nada fará muito sentido!!!!!!!!!!

Os seres humanos são como cebolas. Quando você retira todas as camadas, umas por uma, não sobra muita o que se descobrir. Você nunca achara significado real entre seus interesses, sentimentos ou aspirações egoístas. As respostas não se encontram dentro de você. De fato, quanto mais você procurar em si mesmo, mais vazio se sentira’.

A brevidade da Vida

Pode ser muito proveitoso fazer um exercício mental que eu chamo de teste-do-fim-da-vida. Imagine a si mesmo muitos anos no futuro, quando seu tempo na terra estiver chegando ao fim. Isto pode parecer mórbido para você nessa terna idade, mas a brevidade da vida é um dos mais importantes conceitos bíblicos. O salmista Davi falou de nossas vidas como flores do campo que florescem ao amanhecer e à tarde logo murcham (Sl 103:15, 16). Moisés expressou a mesma idéia no Salmo 90 quando escreveu: Ensina-nos a contar nossos dias (v.12). O que os escritores bíblicos estão nos contando é que estamos apenas passando por aqui. Ou, na melhor das hipóteses, somos apenas inquilinos temporários neste planeta.

Dada esta percepção da brevidade da vida, eu te convido, caro leitor, a imaginar-se como uma pessoa bem idosa recordando-se as muitas décadas que ficaram para trás. Pense nos melhores momentos de sua vida e nas lembranças mais preciosas dos últimos setenta ou oitenta anos. Que tipos de recordações serão mais preciosas para você nessa hora final?

Comece a pensar sobre o que realmente é importante para você. Encontrar-se com a morte faz com que as nossas prioridades sejam reordenadas. Tudo o que é supérfluo e insignificante fica para trás e os verdadeiros valores começam a brilhar como ouro polido.

Pergunte a si mesmo o que importara quando tudo estiver no fim. Serão negócios que você produziu e fomentou? Serão as placas que estão penduradas na parede? Serão os diplomas que você recebeu de prestigiosas universidades? Será a fortuna que você acumulou? Serão os discursos que você fez? As pinturas que produziu? As canções que gravou? Serão os livros que você escreveu ou os cargos para os quais foi eleito? Será o poder ou influencia que você exerceu? Ou será uma homenagem póstuma de cinco minutos e 1 minuto de silêncio? Duvido!!!

Tenho certeza de que sua prioridade maior será buscada em outra fonte. Quando tudo estiver dito e feito, e os livros da sua vida estiverem sendo fechados, eu acredito que seus tesouros irão encontrar-se muito mais próximo de sua casa. Suas lembranças mais preciosas focalizarão aqueles que você ama, aqueles que amam você de verdade, e o que vocês fizeram juntos para DEUS.

Um pai chegou ao seu filho e disse:

- Meu filho, quero que você entenda uma coisa, todos temos que encarar a morte mais cedo ou mais tarde, de um jeito ou de outro. Esta é a tal condição humana. Ela vem mais cedo para uns e mais tarde para outros, mas ninguém escapará no final. E, é claro, isto também irá acontecer com você e comigo. Assim, sem ser mórbido sobre isto, quero que você comece a se preparar para essa hora.

- Minha morte pode chegar daqui a 10 ou 15 anos, ou como pode ser daqui a 10 minutos. Mas quando esse tempo chegar, existe um pensamento que eu queria que você guardasse com você. Eu não sei se terei oportunidade de dizer a você minhas últimas palavras, então, deixe-me expressá-las imediatamente. Cristalize esta imagem neste momento em seu pensamento e guarde-o para o resto de sua vida. Minha mensagem para você é ESTEJA LÁ! Esteja lá para encontrar a sua mãe e eu no paraíso. Estaremos procurando por você no amanhecer da ressurreição. Não impeça que nada o impeça de cumprir com esse encontro marcado.

Pode ser que se passe muitos anos entre a minha morte e a sua, mas sempre se lembre de ESTAR LÁ, pois pode ter certeza que estarei procurando você nos portões do paraíso. Esta é a única coisa de real significado em sua vida. Eu me preocupo com o que você realizará nos anos porvir, e espero que faça bom uso do grande potencial que o SENHOR te deu, mas acima de qualquer outro propósito e alvo, a única coisa que realmente importa é que você determine em seu coração agora mesmo ESTAR LÁ.

Esta mensagem é de grande valia para todos. É também o coração e a alma do que eu tentei expressar com este artigo leitor. ESTAR LÁ. Este deve ser nosso o objetivo máximo na vida. Dentro dessas duas palavras estão as respostas para todas as perguntas que fizemos.

Jesus Cristo é a fonte, a única fonte, de significado na vida. Ele proporciona a única explicação satisfatória do porquê estarmos aqui e para onde estamos indo. Por causa dessa boa nova a última batida do coração para o cristão não é a conclusão misteriosa de uma existência sem sentido. É, na verdade, o grande começo de uma vida que nunca Terá fim.

Obrigado por ler junto comigo leitor. Eu espero encontrar você algum dia. Se nossos caminhos não se cruzarem do lado de cá, eu procurarei por você na cidade terna, MAS PARA ISSO É PRECISO FAZERES TUDO PARA ESTAR LÁ .

CUSTE O QUE CUSTAR, ESTEJA LÁ!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

A UNIVERSIDADE E EU...

A universidade esperava-me com as suas matérias árduas; estudei-as muito

mediocremente, e nem por isso perdi o grau de bacharel(...)

Brás Cubas


Não sei se amei esta obra, mas amei esse período composto exposto acima. Como estudante de Letras tive de ler Memórias Póstumas de Brás Cubas e nesta leitura paralisei-me no seu capítulo XX, capítulo com o seguinte título: Bacharelo-me.

Sei que como estudante de Letras, apaixonado pela prática docente e coisas da educação, o ideal para mim seria licenciando-me, mas independente dessas falácias entorno de nomenclaturas, Brás Cubas coaduna com a minha impressão da universidade: um lugar de opressão!

A universidade é antipática, formalista, dona da verdade, e o pior de tudo, acha que pode nos conceder um excelente futuro! A universidade entende muito de formalidades acadêmicas e cerimônias de formatura, mas a universidade sabe muito pouca da vida, a universidade não nos ensina afetividade, a universidade não nos ensina cooperação, a universidade não nos ensina a como nos livrarmos desse capitalismo selvagem que coloca as pessoas numa arena pela busca da sobrevivência, pelo espaço numa empresa x ou num colégio y. A universidade tem se prestado a fomentar a disputa, a intriga, o jogo da conquista pela entrada no tal do ‘mercado de trabalho’.

Tudo isso me fez sonhar com a universidade ideal, que de tão ideal agradaria até o nosso exigente Brás Cubas, compartilhem comigo da universidade ideal: Era uma vez um lugar em que as pessoas se reuniam para construir conhecimento. Lá não haviam disputas por bolsas de pesquisas, pois somente os que precisam realmente desse dinheiro pesquisavam com o mesmo, mas a maioria das pessoas pesquisavam por amor ao conhecimento e compromisso com o seu meio social. Nesse lugar seria banida a figura do professor, aquele professor de profissão como nos denuncia Rubem Alves, e surgiria a figura, quase extinta, do educador, não mais por profissão, mas agora por vocação. No inicio de semestre todos começavam já com 100 pontos e não mais com 0 como essa figura extinta do professor adorava ressaltar, e no final as pessoas terminariam com a nota que mereciam e não com a que o professor lhes achava mais (in)justa. Nada de rigor com prazos, cada ser humano tem o seu prazo, esse prazo é determinado pelo que constrói o conhecimento e não por aquele que o espera pronto com uma caneta, geralmente vermelha, na mão. Esse espaço seria público e gratuito, e só quem tivesse consciência moral, ética e social contribuiria com o valor que pudesse.

Ainda me faltaria tempo a falar da biblioteca, da ausência das figuras irrelevantes como reitor(a), pró-reitor(a), coordenador(a), essas figuras que nunca vemos durante a tal da graduação, tão (des)valorizada em nosso tempo, faltar-me-ia tempo a falar de muitas coisas, mas creio que do básico já falei: A universidade precisa se utopizar, precisar ver humanos para além das figuras do aluno e professor. Porque senão haveremos de escutar por muitos e muitos anos uma das impressões mais brilhante de Brás Cubas: A Universidade me atestou, em pergaminho, uma ciência que eu estava longe de trazer arraigada no cérebro, confesso que me achei de algum modo logrado, ainda que orgulhoso.